JUVENTUDE BAIXADEIRA: MOVIMENTO DE VOLUNTÁRIOS PELO DESENVOLVIMENTO DE UM TERRITÓRIO – PARTE II

Em outubro de 2012 publiquei o primeiro artigo sobre esse tema. De lá para cá continuei a pensar sobre o importante trabalho que os jovens tem feito na Baixada Maranhense, a quase uma década, desde quando o Instituto Formação, uma organização que atuava desde 1999 no Maranhão e em outros estados brasileiros decidiu priorizar a Baixada Maranhense por dez anos. Encerra em 2013 essa meta que eles definiram.
Nesta parte de minha reflexão vou tratar do desenho desse movimento, que já envolveu milhares de jovens voluntários, pelos dados dos relatórios do Instituto Formação.
Tudo começou em 2003, quando o Instituto Formação recebeu um convite do UNICEF para desenhar um projeto para a juventude maranhense. A partir daí elaborou um projeto para mapear como acontecia a formação da juventude, o que existia para potencializar esse segmento da população através da educação.
No mesmo ano o Instituto Formação enviou à Fundação Kellogg um esboço de um projeto para todo o Estado do Maranhão que depois deu origem ao Jovem Cidadão. Em 2003, o Formação não pensava a priori a se dedicar à Baixada Maranhense, mas à juventude do Estado do Maranhão. A Baixada Maranhense foi definida mediante:
a) Necessidade de delimitar uma área do Estado, para focalizar mais a ação.
b) Ser a região com o menor índice de desenvolvimento humano e de onde muito jovens se deslocavam em busca de alternativas de estudos e trabalhos e por muitas vezes para atividades precárias similares a trabalhos escravos.
c) Porque na Baixada Maranhense o Instituto Formação que era e é uma organização especializada em educação ter uma ação com uma importante articulação de dirigentes – o Portal da Educação da Baixada.
Ainda em 2003 o desafio do Formação proposto aos jovens baixadeiros, através de uma de suas dirigentes, Regina Cabral, também nascida na Baixada Maranhense, era: olhem para sua realidade, para frente, para trás e para os lados e descubram como ela está e tudo que vocês podem fazer para modifica-la. Esse chamamento mobilizou gradativamente muitos jovens que se debruçaram aos trabalhos e começaram a mapear organizações juvenis e aos poucos a mobilizarem-se em Fóruns da Juventude.
Esse fértil movimento foi alimentado por processos de:
a) formação em diferentes áreas: educação física, esportes e lazer; arte e cultura (com teatro, dança, música e arte circenses); comunicação educativa (revista COR, programas de radio, telecentros, animações, cinema); educação (CEMP, EJA Profissionalizante, Incubadora); Saúde e Ecologia Humana (campanhas de meio ambiente e ecomoradias).
b) Parcerias com o poder público local que disponibilizava infraestrutura para estruturação de Fóruns e Telecentros.
Junto aos programas de formação e às ações dos Fóruns da Juventude que coordenavam ações locais planejadas com o Instituto Formação vieram os eventos: feiras de arte e cultura, festivais de teatro e dança, mostras de música, festivais de animação, encontros de comunicação educativa, seminários de saúde e ecologia humana, seminários de ideias, seminários de educação física, esportes e lazer, festivais de esportes, entre tantos outros.
Ainda em 2004 iniciaram-se os intercâmbios que fortaleciam as iniciativas dos profissioonais e dos jovens.
A Baixada foi assim se tornando um campo de experiências da juventude em nível nacional e mesmo internacional. Mas, certamente, eu destacaria quatro entre tantas outras, importantes razões desse sucesso:
1) A determinação do Instituto Formação em investir focadamente na região, mesmo em momentos difíceis – como o período de 2009 até hoje.
2) A metodologia adotada de reaplicação de conhecimento que gerou provavelmente um dos maiores movimentos de voluntariado do país: a juventude maranhense reaplicando conhecimento através dos Fóruns da Juventude, apoiados ou não com bolsas.
3) As parcerias locais.
4) O fato dos jovens estarem desde o início articulados em redes.
Abaixo seguem dois gráficos com números de público direto envolvidos no projeto.
O primeiro mostra o número de organizações juvenis da Baixada Maranhense mapeadas em 2003 e os Fóruns da Baixada e de fora da Baixada (mas no Maranhão) que se desdobraram desse trabalho.

O segundo gráfico mostra o número de adolescentes e jovens trabalhados pelo Formação e de crianças com quem os jovens reaplicaram conhecimento nesse rico movimento de voluntariado.
Viva o jovem baixadeiro. Tenho orgulho de participar desse movimento. Oxalá ele seja uma marca que nunca se acabe!
Dedico esse texto aos jovens, em especial a Francilda Fonseca, Ivonete , Ailton Barros, Eduardo Barros, Denilson Mendes, Denivaldo Mendes, Lozangêla Mendes, Jordson, Raimundo Nonato (Dunga), Maria Freitas, Barbara Torres, Brenda Pacheco, Gabriel Dias, Maximo Freitas, Inaldo Aroucha, Kassiana Pessoa, Margarida Freitas, Benedito Soares, Ranyere Serra, Dayse Castro, Cesar Roberto, Roberta Abreu, esses são apenas alguns, mas existem muitos mais, antes e depois do meu tempo, a todos eles sucesso, e obrigada!
o-pescador-segurando-o-soco

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