DE CUMÃ A SÃO BENTO – 394 ANOS DE HISTORIA

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Neste breve texto falarei telegraficamente buscando minha razão e emoções contidas e as que afloram cotidianamente, tudo a partir de histórias, lembranças e da atual conjuntura.

No final do mês de março o município de São Bento completou 110 anos de história, mas a colonização da área, desde a Capitania Secundária de Cumã, aproxima-se da sua quarta década.

Não é apenas porque aniversaria que tenho sentido vontade de escrever sobre a cidade onde nasci; essa vontade de falar sobre São Bento me consome a um bom tempo, porque para lá tenho sempre as antenas ligadas. De todo modo, escrever sobre o nosso lugar de nascimento, principalmente abordando diferentes aspectos, inclusive os políticos é sempre desafiador, porque implica transcrever minhas fortes emoções de criança, adolescente e jovem.

Vou começar pelo aspecto cultural, para iniciar com texto mais leve, palatável, que nos faz adentrar na literatura e mesmo quando a crítica é feita não causa polêmicas e acirramentos maiores. Qualquer pesquisa na internet nos lembra o fato de São Bento ter tido atividades de comunicação e cultura desde o século XIX, com um jornal lançado em 1854, por Antonio Alexandre Bucello e a criação do Recreio Dramático, uma sociedade de artes cênicas, em 1865, pelo trio Benedito de Barros, João Novais, João Miguel. Essas iniciativas, entre outras  tiveram vida curta, como quase tudo que acontece em São Bento e em outras cidades maranhenses. Infelizmente!

Hoje, podemos pensar que existem atividades e grupos folclóricos, companhias de teatro e dança, escola de música (onde me formei), organizações juvenis e uma academia de letras onde se reúnem escritores diversos da cidade.

Contudo, como ocorre em muitas outras cidades maranhenses e brasileiras falta investimento mais denso na educação que garanta estruturalmente uma cidade onde todos tenham acesso aos estudos, seja uma cidade letrada, sem analfabetismo. Isso, mesmo sabendo da tradição de São Bento em, enquanto política municipal, ofertar ensino médio e educação profissional em maior quantidade e qualidade que muitas outras cidades, mesmo que de acordo com a administração municipal do momento a qualidade dessa educação possa ser melhorada ou piorada. Também não se pode negar os investimentos significativos do Governo Federal nessa área.

E é nesse ponto que vou entrando nos conteúdos mais difíceis de serem digeridos por quem escreve e por quem, de alguma forma, se sente afetado. E esses conteúdos se referem a como vejo minha cidade cada vez que a visito.

É claro que temos que, de um lado, pensar que quando somos crianças tudo parece grande e mais bonito e, de outro, que quando saímos para estudar, trabalhar e, como eu, viajar para outras cidades e países, conhecendo muitas outras realidades, cada vez que se volta a São Bento é com um olhar mais exigente e com um conteúdo mais crítico.

Tendo esse conhecimento mais crítico não é fácil lembrar de discursos e propostas feitas durante a eleição e ficar quieta como se nada passasse. Em janeiro de 2013, por exemplo, foi pregada a perspectiva de uma nova era para São Bento, tempo de acreditar que a alternância de poder possibilitaria políticas mais abrangentes, inclusivas e efetivas. De verdade, não se percebe melhorias nesses dois primeiros anos, talvez alguns retrocessos.

Apesar de sabermos que essa cidade sofre do mesmo mal que cidades de todo o país e, de forma mais profunda, de nosso estado (Maranhão), ou seja, promessas não cumpridas, corrupção e fisiologismo, nada justifica cruzarmos os braços para o nosso caso específico. Afinal, cada um de nós, filhos de São Bento, deveríamos acompanhar e contribuir para a construção de uma cidade ano após ano melhor, em todos os sentidos, inclusive cobrando dos poderes (executivo, legislativo e judiciário) a garantia da lei no cumprimento da implementação de políticas públicas como deve ser. Um gestor da cidade e toda sua equipe devem trabalhar para esse fim. Albert Einstein dizia que o ideal político deveria ser a democracia, para que todo o homem fosse respeitado como indivíduo, cidadão e, nenhum, fosse venerado.

Eu quero uma cidade mais bonita, inclusiva, democrática, educada. Com jovens tendo oportunidades de se reunirem, compartilharem idéias, filosofarem, produzirem arte, comunicarem-se. E é pensando nessa cidade que volto ao cotidiano de São Bento com imagens muito presentes da minha infância e adolescência, quando andava por ruas tranqüilas, conversava com pessoas amigas, solidárias, tinha amigos com a cabeça e o coração sincero, não contaminados por maldades; havia muita bondade em tudo isso.

Hoje, quando vou a São Bento me pergunto: De que adianta ter asfalto nas ruas se não há garantia de liberdade de expressão e incentivo e segurança para a convivência nas portas das casas e praças? De que adianta o hospital ser público se eu sou tratada de maneira desigual pela minha opção política? O que estou fazendo para diminuir a quase zero o analfabetismo daqueles que nunca ingressaram ou abandonaram a escola? Onde está a democracia nisso tudo? Isso não deveria acontecer! Não importa a cor e a opção partidária do governo, porque a cidade é dos cidadãos e não de quem venceu a eleição garantindo o mandato do momento. E isso serve para todos os mandatos: o atual, o anterior, o que virá.

Este primeiro texto sobre São Bento quero concluir dizendo que de toda essa história (seus quase 4 séculos), 18 anos eu vivi perto e nesse breve tempo ouvi muitas histórias contadas por minha vó querida que lá vive há 87 anos. E, assim como ela, queria ver um arco íris colorindo a vida de todo mundo, para todas as gerações, com a vida em um presente movimento ascendente e um futuro melhor construído diariamente.

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